A arte da conversação

Qui, 05 de Novembro de 2009 13:44
“A palavra não dita é tua escrava. A palavra dita é tua senhora”, diz a sabedoria popular. A palavra é uma das principais causas de sofrimento, porque falar é muito fácil e a ignorância da lei de causa e efeito não nos deixa refletir e nos preocupar com aquilo que vamos dizendo por aí.
A língua do homem é a maior criadora de confusão e incompreensão. Não importa aquilo que dizemos, mas sim como e quando dizemos. Portanto, convém sempre medir nossas palavras com o metro da cortesia, do sentimento e da gratidão. Numa conversação, o interesse se baseia no tornar importante o nosso interlocutor. A maneira mais simples e eficaz de fazer isso é trocando as afirmações pelas perguntas.
Menos coisas dizemos e menos teremos de nos arrepender. A natureza sabia o que fazia quando nos deu duas orelhas e uma única língua. Uma única palavra, dita por uma língua incontrolada, pode destruir a felicidade de uma vida inteira. Algumas dicas para evitar a postura crítica, sarcástica ou irônica são: não criticar, reconhecer os méritos dos outros, reconhecer rapidamente os seus erros e nunca hesitar em pedir desculpas. Também tente sempre fechar um acordo o mais rápido possível, pois cada momento de atraso lançará mais lenha ao fogo da discórdia.

Para concluir, aqui está uma série de regras para uma conversa eficaz: olhe nos olhos de seu interlocutor, não o interrompa enquanto fala, seja um bom ouvinte, seja compreensivo, module o tom da sua voz, evite referências desagradáveis do passado, dê conselhos apenas quando são solicitados, elogie aquilo que o agrada e ignore aquilo que o desagrada, e cuide das suas palavras, e suas palavras cuidarão de você. S. L. Katzoff
Quando nos falta um guia que nos ilumine nos momentos em que temos de discriminar as coisas, corremos o risco de que nossa escolha seja ditada pelos nossos instintos animais, sempre prontos a se manifestar, ou pelo nosso egoísmo, sempre presente como resultado do nosso instinto de auto-sobrevivência.
O ensinamento mais importante de todas as religiões é o de sermos gentis, compreensivos e misericordiosos com todas as criaturas, homens, plantas e animais, inclusive os insetos. Esse modo de agir não é fácil e é preciso adquiri-lo por meio de um esforço constante, dia após dia, ano após ano.
Há pessoas que lêem muitos livros, fazem muitos cursos e escutam muitas conferências com a intenção de encontrar a paz interior e eliminar o sofrimento. Infelizmente, tudo aquilo que fazem não lhes trará nenhuma melhora, a não ser que se esforcem para colocar em prática tudo que aprenderam intelectualmente.
SE CONSIDERARMOS a lei universal de causa e efeito, poderemos compreender que todos os sofrimentos que nos atingem são apenas “efeitos de ações não-virtuosas” por nós praticadas no passado recente ou remoto.
Se não modificarmos a nossa conduta, as nossas ações de hoje nos condenarão no futuro.
Existem pessoas que justificam todos os seus males afirmando que eles são conseqüência de más ações cometidas em alguma vida passada. Essas pessoas assumem uma atitude passiva, pensando que, de qualquer forma, não têm o poder de mudar circunstâncias já passadas. Essa postura é muito perigosa e denota falta de confiança na misericórdia divina. Não devemos esquecer nunca que nós podemos ser infiéis a Deus, mas Ele nunca o será em relação a nós.
No cosmos existe a lei do equilíbrio, e o bem que fizermos hoje pode muito bem exaurir o mal eventual que tivermos praticado no passado.
O bem e o mal não trazem uma etiqueta que obrigue, por exemplo, o mal de uma bofetada a ser descontado com uma outra bofetada. Todo mal produz sofrimento. Portanto, todas as ações que produzem felicidade constituem um antídoto para aquelas que trouxeram dor.
A mente deveria permanecer sempre alerta e controlar o nosso corpo e os nossos instintos. Estes últimos, exatamente pelo fato de serem destinados à sobrevivência do corpo físico, nos oferecem soluções quase sempre egoístas. Quando vemos um objeto (ou o imaginamos), ele é subitamente encarado com interesse ou com rejeição. Quase não existe uma apreciação pacata, na qual a mente observa e basta. A mente é colocada a serviço das paixões e disso nasce o desejo de possuir ou o temor de perder aquilo que se possui.
Quando a mente é educada adequadamente, os sentidos não conseguem agarrar e aprisionar a sua atenção. A mente educada observará qualquer objeto e saberá conferir a ele o seu valor efetivo, e não aquele que lhe é atribuído pela nossa interioridade.
Cada vez que estivermos diante de um objeto ou de uma pessoa e a mente não estiver em condições de discernir o seu valor efetivo, surgirá o desejo que nos levará a pensar que não poderemos viver sem aquele objeto. Essa é a causa daquilo que definimos como desilusão.
Não é o corpo que nos priva da paz mental, e sim a mente que, não sendo controlada, é influenciada pelas emoções e pelos sentimentos e acaba nos conduzindo a comportamentos errados. Para uma mente não-educada, a mesma situação pode se tornar objeto de desejo ou de medo e isso acarretará desilusões.
Francesco Giovannetti é psicoterapeuta e escritor na Itália
FONTE: www.revistaplaneta.com.br Edição 426 março/2008

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