Espiritualidade – Ignorância, apego,ódio

O pensamento é a única força que dá vida ou a destrói, dependendo de como é dirigido, se para o bem ou para o mal (Prentice Mulford)

Por Francesco Giovannetti
Quais são as causas do sofrimento? O budismo ensina que existem três venenos principais dos quais dependem os sofrimentos da humanidade. São eles: o apego, a ignorância da lei de causa e efeito, e o Q ódio e os rancores. Desses três venenos, o apego é o pior. Ele merece alguns esclarecimentos para não ser confundido com o afeto ou o amor. Com efeito, freqüentemente ouvimos alguém dizer que é apegado a uma pessoa e que isso se deve ao grande amor que sente por ela.
A prova de fogo para se determinar se aquilo que sentimos é amor verdadeiro ou apenas um mero apego é muito simples: basta examinarmos o que essa relação traz para nós mesmos e para a outra pessoa. O verdadeiro amor traz felicidade e alegria a ambos. Se isso não acontece, não se trata de amor verdadeiro. O amor verdadeiro não corre atrás da sua própria satisfação e felicidade, e sim das da pessoa amada.
Como afirmou Paramahansa Yogananda: “Quando vocês pararem de querer encher a própria taça de felicidade, e começarem a encher a dos outros, descobrirão, com espanto e alegria, que a taça de vocês está sempre cheia.”
O apego é a causa real de muitos sofrimentos. Lutamos para obter um objeto ou uma pessoa, e isso é causa de sofrimento. Depois, logo após termos obtido esse objeto ou pessoa, começamos a nos preocupar por medo de perdê-los.
Podemos ainda ser apegados a situações ou ao nosso corpo, e ambas as coisas são causa de sofrimento. O medo de morrer é causa de muito sofrimento, pois a mente acha que sem o corpo estará perdida. Também aqui está em jogo o apego.
Nesse caso, no entanto, ele é coadjuvado pela ignorância das leis da vida. Enfim, é fácil verificar que todos os males do mundo, as guerras inclusive, possuem como causa principal pelo menos um dos três venenos primários: apego, ódio e ignorância.
Não somente os seres humanos, mas todas as criaturas vivas, inclusive OS INSETOS, procuram maneiras de evitar o sofrimento
A ignorância da lei de causa e efeito, por seu lado, é a coisa mais perigosa que existe. Não saber que nosso sofrimento nasce das nossas ações não-virtuosas não nos permite tomar a decisão de mudar nossas atitudes e posturas com a força necessária para fazê-lo realmente.
Com a meditação é possível adquirir o controle da mente e, em conseqüência, a paz interior. Essa é a principal razão para se praticar uma técnica de meditação. Todos nós buscamos a felicidade e, ao mesmo tempo, queremos evitar o sofrimento.
Quando conquistamos a paz interior, atingimos uma postura existencial muito mais eficaz para a satisfação dessas nossas exigências.
Não apenas os seres humanos, mas todas as criaturas, inclusive os insetos, procuram meios de evitar o sofrimento. O homem é a única criatura que, com o uso da razão, pode adquirir e praticar técnicas para buscar conscientemente o controle mental. Para que tenhamos uma vida sem sofrimento, devemos cortar pela raiz as causas que o provocam.
NOSSO INTELECTO nos possibilita discriminar tudo aquilo que em nós é bom e tudo aquilo que é mau, assim como evitar todas as ações que, por não serem virtuosas, criam causas cujos efeitos serão sentidos por nós como sofrimentos.
A felicidade não chega sozinha. Podemos esperar por ela durante anos, mas ela apenas chegará quando passarmos seriamente a seguir o modo justo de agir. Esse modo justo de agir nos foi apresentado pelos grandes mestres e constitui a base de todas as grandes religiões.
Quando postos em prática na vida cotidiana, os ensinamentos deixados por Buda e por Cristo, por exemplo, são capazes de cortar as raízes do sofrimento. Mas essa prática em geral não é fácil, e é necessário manter o controle mental para evitar que a nossa parte instintiva nos cegue com as suas exigências egoísticas.
Os ensinamentos dos mestres são sementes. Não podemos pretender saborear seus frutos se antes não plantarmos a semente, cuidarmos da planta que cresce até que ela esteja em condições de nos pagar pelo trabalho. Da mesma forma, os ensinamentos, se vividos dia após dia, no devido tempo, não deixarão de produzir em nós aquelas transformações mentais que nos levarão a agir de um modo diverso. Um modo que nos permitirá evitar a prática de ações não-virtuosas, cujos efeitos são os sofrimentos.
Veja mais em : www.revistaplaneta.com.br. edição 426 março/2008

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