Meditação

Qui, 05 de Novembro de 2009 13:43
Chave-mestra do controle mental
A meditação se destina a fazer com que a mente permaneça sob nosso controle. Desse controle nascerá em seguida a capacidade de pensar apenas pensamentos positivos e construtivos. Quando na nossa mente não mais existir espaço para pensamentos negativos e destrutivos, teremos alcançado a paz interior.
A técnica que será exposta a seguir oferece algumas sugestões sobre a posição que se deve assumir durante a meditação. Ela será praticada de preferência sentada. Sugerem-se as posições básicas da ioga, a do lótus ou a do meio lótus (com as pernas cruzadas), mas o que importa não é tanto a posição física quanto a constância das execuções e o propósito de aprender a meditar não apenas por finalidades egoísticas, mas para que aquilo que aprendermos possa nos ser útil para ajudar outras pessoas que estejam necessitando.
Uma coisa importante é a posição da espinha dorsal, que deve permanecer ereta o máximo possível. Essa posição, na verdade, permite que o ar e o prana (energia vital) possam circular livremente nos vários centros energéticos do corpo.

As mãos são colocadas sobre o colo de maneira que a esquerda abrace a direita. Os dedos das mãos, com exceção dos polegares, devem se sobrepor, enquanto os polegares devem permanecer unidos, formando um círculo com as mãos sobrepostas. É bom ressaltar aqui que, como a mão esquerda é símbolo da sabedoria e a direita simboliza o método e a ação, o método e a ação devem estar sempre cercados pela sabedoria.
A cabeça deve ser mantida ligeiramente inclinada para a frente para se evitar que o sangue chegue a ela com excessiva facilidade e possa criar problemas, uma vez que a atividade cerebral é muito reduzida.
As costas são mantidas abertas, e isso é símbolo da abertura àquilo que estamos aprendendo e a todas as sugestões que nosso guia interior desejará nos propor. A boca se mantém fechada, com a língua apoiada sobre os dentes superiores – essa sugestão é para se evitar que a boca fique seca por falta de saliva.
Os olhos necessitam de uma atenção particular. Sua posição é altamente subjetiva, na medida em que existem pessoas que caem na sonolência quando fecham os olhos, e outras pessoas que, com os olhos abertos, se deixam distrair pelas imagens que o ambiente ao redor delas oferece. Sugere-se manter os olhos semi-abertos e olhar a ponta do nariz. Isso costuma evitar os inconvenientes citados.
A postura adquire muita importância para as pessoas que meditam continuamente, às vezes por dias e dias. Para nós, a coisa mais importante é a escolha de uma posição que não perturbe a mente. A mente, no início da prática da meditação, costuma se mostrar teimosa como um animal selvagem.
Como nosso objetivo é controlar nossa mente, melhor evitar a criação de mais obstáculos ao assumir uma posição que para nós não é natural e que, assim sendo, fatalmente se transformará em mais uma fonte de distúrbio mental.
No início, a meditação consiste em levar (e manter) nossa atenção à raiz do nariz e a contar os ciclos da respiração. Cada inspiração/expiração vale um ciclo. A respiração deve ser normal. Devemos simplesmente observá-la, e não alterá-la.
Pode ser útil, especialmente no início, contar até seis e depois recomeçar do um. Isso leva a uma pequena variação sobre o tema e representa uma diversão para a mente, da qual ela é sempre muito desejosa. Mais tarde se poderá aumentar a contagem, indo-se até dez ou 15 ciclos. O objetivo a ser alcançado com o tempo poderia ser fixado em 25 ciclos.
Quatro erros a serem ser evitados:
1 – Inspiração longa seguida de uma curta.
2 – Respiração forçada com emissão de sons que até outras pessoas podem ouvir.
3 – Erros na contagem.
4 – Desapontamento pelos erros cometidos. A mente deve ser guiada com calma e suavidade. Se errarmos na contagem, devemos recomeçar do zero.
É bom recordar que na meditação não existe apenas circulação de ar, mas que nela também entram em jogo energias sutis (prana) que partem do umbigo e sobem pela espinha dorsal até a cabeça. Essas energias passam por alguns centros energéticos sutis do corpo (chacras) e os estimulam, acarretando uma vitalidade renovada também no plano físico.
O tempo que devemos dedicar à meditação deve ser escolhido de modo a não perturbar a nossa rotina normal de vida. A duração de cada sessão deve ser decidida pelo discernimento de cada um dos participantes. É conveniente, no entanto, que ela seja praticada todos os dias, e de preferência sempre no mesmo horário. Não devemos esquecer que somos criaturas do hábito. O hábito de meditar é difícil de ser alcançado, mas, quando se consegue isso, sua manutenção é fácil, porque ele entrou na nossa ordem normal das coisas.
A TRANSFORMAÇÃO da nossa mente não deveria ser tentada com o único objetivo de melhorar nossa vida, mas também levando-se em consideração que tais melhorias se farão sentir também nas nossas próximas existências. Existe uma notável diferença entre quem segue os ensinamentos e quem não os segue.
Os primeiros costumam ser calmos e gentis e sabem enfrentar as contrariedades da vida de modo calmo e confiante, enquanto os segundos são irascíveis e tempestuosos e as suas soluções, embora às vezes se mostrem capazes de resolver um problema, via de regra fazem surgir um outro problema, reflexo do anterior.
O BEM e o MAL não trazem uma etiqueta que obrigue o mal de UMA BOFETADA a ser DESCONTADO com uma outra bofetada
Podemos pensar em alguém que, depois de uma vingança, sente-se satisfeito por ter praticado o mal contra aquele que ele acredita ser o seu inimigo, contudo não sabe que o mal que cometeu foi devidamente registrado na sua conta de créditos e débitos. Assim sendo, mais cedo ou mais tarde, esse mal lhe virá de retorno como sofrimento ou doença.
Numa discussão, a pessoa que adquiriu o controle mental consegue ser mais objetiva e avaliar os próprios erros, os quais geralmente nunca faltam. Essa atitude leva a pessoa a observar seu adversário com compreensão e misericórdia. Ela tem paciência e é capaz de tentar compreender as motivações da outra pessoa, evitando dessa forma agir de modo a criar causas cujos efeitos mais adiante se apresentarão como sofrimentos.
Todas as religiões, embora sendo diversas na apresentação da mesma essência, fornecem conselhos de vida para ajudar o seu seguidor a saber distinguir entre o verdadeiro bem e o verdadeiro mal.
Com essa ajuda e a do nosso discernimento, poderemos considerar como um verdadeiro bem aquilo que nos traz benefício e como verdadeiro mal aquilo que nos traz sofrimento.
FONTE:REVISTA PLANETA EDIÇÃO 426 MARÇO DE 2008

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